12/04/2019 18h48

Direitos Humanos realiza workshop sobre a história da criminalização das drogas

Servidoras e servidores, integrantes da sociedade, profissionais e estudantes lotaram o auditório do Palácio da Fonte Grande na tarde desta sexta-feira (12) durante o workshop: “Drogas e controle social: um histórico da criminalização e do modelo da guerra”. Esta foi a primeira das oito capacitações que serão realizadas pela Subsecretaria de Política sobre Drogas, da Secretaria de Estado de Direitos Humanos (Sedh), ainda no primeiro semestre deste ano.


O palestrante foi o assessor especial da Sedh e mestre em Ciências Criminais, Saulo Salvador Salomão. Ele apresentou o contexto social e histórico em que as drogas passaram a ser criminalizadas e demonstrou como o poder econômico esteve permeando as decisões de tornar ilegais diversas drogas e legalizadas tantas outras (como é o caso do álcool hoje, por exemplo).


“A História nos mostra que o poder econômico sempre esteve decidindo o que era legal ou ilegal e quem devia ou não ser perseguido. As drogas são uma questão muito mais econômica do que moral. Hoje, no Brasil, nós sabemos que quem recebe o nome de traficante são os jovens pobres, pretos e de periferia. Caso contrário é o jovem de classe média preso com drogas. Quem lucra grandes quantias está de um lado e quem é preso e morre está de outro. A história também nos mostra que, nesta guerra das drogas, que atinge a todos nós, muitas vidas humanas estão sendo perdidas. E qual o resultado efetivo estamos alcançando com essas mortes? O objetivo aqui hoje é situar o problema. Pois só conhecendo de onde ele vem podemos pensar em soluções”, explica Saulo Salomão.


O subsecretário de Estado de Políticas Sobre Drogas, Carlos Lopes, destaca a importância desta capacitação. “Estamos num processo de reestruturação da política estadual sobre drogas e, nessa perspectiva, vamos implementar um programa de formação continuada para nossos servidores e colaboradores em geral, pois é essencial que as pessoas envolvidas nessa temática tenham um embasamento e conhecimento aprofundado da problemática das drogas”, ressaltou.


Para a secretária de Direitos Humanos, Nara Borgo, os workshops sobre drogas vão trazer diversos temas importantes que serão abordados nas formações. “São temas que causam na gente uma inquietação essencial para quebrar preconceitos e estereótipos. É fundamental entender o processo de criminalização bem como os efeitos das drogas. Até para podermos melhorar os serviços prestados e fortalecer as redes de atendimento”, afirmou a secretária.


O conselheiro do Centro de Acolhimento, Rodolfo Moreira, fala de que forma o workshop pode auxiliar na abordagem e no direcionamento dos atendimentos: "Trabalhando com a abordagem direta na unidade, é importante conhecermos o contexto histórico e entender que nem sempre as drogas foram tratadas como esta monstruosidade. Percebemos a importância de saber o que levou a pessoa a chegar até lá para poder melhor orientá-la no tratamento".


Para a psicóloga do Centro de Acolhimento, Margot da Penha, "o que foi falado aqui hoje deve ser levado ao público em geral, pela questão do preconceito que há em relação a quem faz uso de drogas. É importante também para entendermos o que causa as dificuldades psicológicas dos usurários e que, consequentemente, comprometem o tratamento. Muitos deles são vistos como criminosos pela sociedade e acabam se enxergando desta forma também, mesmo não sendo".


Formação


Os cursos acontecerão no primeiro semestre deste ano, realizados sempre às sextas-feiras. O próximo encontro tem data prevista para 03 de maio, com o tema “Abc das drogas: espécies, classificações, ação das drogas no organismo, tipos de usuários e o processo de dependência química”, ministrado pela médica psiquiatra, Melina Silva Cruz.


Além das servidoras e servidores da SEDH, a formação é voltada também para os representantes das Comunidades Terapêuticas conveniadas ao Governo do Estado.


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